Tente passar a adorar aquilo que sempre odiou. Eis a beleza da contradição, quando ela te mostra que há vida, que seus valores não são estáticos. Um corpo humano nunca experimenta uma mesma sensação duas ou mais vezes. Pode ouvir a mesma música, mas não com os mesmos ouvidos. Pode sentir o mesmo cheiro podre, mas nunca irá sentir o mesmo nojo, nem fazer a mesma careta. A gente tem, se quiser, a capacidade de ser muitos em um só. Basta um pouco de coragem e a gente pode experimentar de tudo. Tem uma hora que aquele desejo guardado se liberta e você faz o que não sabia que queria, mas queria. É boa a sensação de se olhar e perguntar: quem é você? pensei que era eu!
domingo, 24 de março de 2013
Desejos guardados
Tente passar a adorar aquilo que sempre odiou. Eis a beleza da contradição, quando ela te mostra que há vida, que seus valores não são estáticos. Um corpo humano nunca experimenta uma mesma sensação duas ou mais vezes. Pode ouvir a mesma música, mas não com os mesmos ouvidos. Pode sentir o mesmo cheiro podre, mas nunca irá sentir o mesmo nojo, nem fazer a mesma careta. A gente tem, se quiser, a capacidade de ser muitos em um só. Basta um pouco de coragem e a gente pode experimentar de tudo. Tem uma hora que aquele desejo guardado se liberta e você faz o que não sabia que queria, mas queria. É boa a sensação de se olhar e perguntar: quem é você? pensei que era eu!
sexta-feira, 22 de março de 2013
O cientista político
Numa cidade nada pacata vive um cientista político, pelo menos é esta sua autodenominação. Convicto de que vive num mundo sórdido e pouco confiável, observa a vida cotidiana de seus concidadãos através de sua lupa pessimista. Dessas observações extrai documentos da mais alta importância, todos sempre muito bem distribuídos pela imprensa local, que lhe abre espaço dada a sua ótima reputação de colecionador de desafetos. Ele é pop e muito polêmico, porém pouco compreendido, justamente por um leve pedantismo, digno de qualquer cientista destacado. Entre ele e todos nós existe um abismo profundo onde está depositado o que resta da escassa moral que ainda existe por essas bandas. Ao seu lado só figurariam, se fossem capazes de atingir sua altivez, certos paladinos da retidão e dos bons costumes. Na verdade, ele faz questão de ostentar alguns péssimos hábitos, faz parte da manutenção de seu destacamento perante a insignificância de seus inimigos, ou seja, todos que o rodeiam. Resumindo, ele é politicamente incorreto, tem identidade debochada e faz escola nessa gloriosa forma de encarar a vida. Há indícios de que ele perambula secretamente por alguns porões ao lado de outros roedores da coisa pública, mas sobre isso nada podemos afirmar. Por outro lado, é muito difícil vê-lo nas ruas, pois ele não se envolve com as ações práticas da política, ditas por ele hábitos costumeiros de molecotes mimados e ingênuos. A democracia para ele se resume ao direito de proclamar suas verdades iluminadoras e absolutas, sempre mantendo sua imunidade aos imorais. Sua posição é de fato a de franco atirador, la do alto ele acerta precisamente em todos, ninguém escapa de sua mira precisa. E assim ele prossegue em sua heroica missão, delatando as bravatas alheias e inflando o seu generoso ego de ser solitário e perseguido. Um bravo guerreiro da causa própria. Vida longa ao cientista político!
quarta-feira, 20 de março de 2013
Teimoso
Nunca escreva versos ou qualquer outro texto quando estiver se sentindo triste, eles vão denunciar a sua fraqueza e, não apenas, também parecerão muito entediantes a quem os ler. A melhor coisa a fazer quando estiver se sentindo assim é deixar a tristeza penetrar, fazer o seu curso por todas as veias, ossos, pulmões, consciência e espírito. Sinta o seu trajeto, perceba o que ela quer te dizer, pode ser algo realmente interessante. Talvez essa tristeza seja uma forma de fazer brotar alguma coisa positiva, alguma mudança ou novidade. Seja o que for, com paciência ela irá mostrar o seu significado. Enquanto isso, não seja teimoso!
quarta-feira, 6 de março de 2013
O destino nada promete
Meu bem, quando disse que dividiria pra sempre o meu sucrilhos com você, era verdade. Mas você sabe, meu bem, todo encanto um dia acaba, e o que morava no futuro agora paga aluguel no passado. Meu bem, fiz de tudo pra sonhar de novo aquele velho sonho, mas acordei assustado perguntando quem era você. Não me desminta, meu bem, nunca fui daqueles que vacila quando se trata de um grande amor, mas eu pisquei e ao abrir os olhos simplesmente tudo mudou. Meu bem, eu não sei porque, mas de repente esse bem já não era mais meu. O destino nunca nos engana, porque nada promete. Não foi por mal, meu bem, eu sofri também.
sábado, 2 de março de 2013
28
O tempo é o alimento da existência. Sem ele não há desenvolvimento, não há movimento, não há sequer um simples momento. É o devir, a mudança, o vir a ser, o transformar. São 28 anos vividos e muito ainda a ser percorrido. Só não me sai da cabeça que o melhor da vida ainda está por vir. Tempo, eu não tenho medo, que venha mais uma primavera.
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013
Passos lentos
Ela estava lá, atravessando a rua em passos lentos, com o pescoço esticado e o casco reluzindo ao brilho do sol. Eu também estava, vindo a quase cem por hora no meu uno branco sem calotas ouvindo um samba. Só a vi quando estava quase em cima. Um desvio com destreza e ela não foi atropelada. Na sequência vejo um carro parado no acostamento e o passageiro, já fora do veículo, correndo determinado a salvá-la. De repente ele para e põe as mãos na cabeça, a expressão de seu rosto é de muita aflição. Olho no retrovisor, vejo carros e um caminhão em alta velocidade. Lá em baixo está ela, aparentemente tranquila seguindo em frente na mesma lerdeza em suas perninhas curtas. Fecho os meus olhos, eu não quero ver. Depois de alguns segundos, volto a abrir os olhos, mas sem olhar no retrovisor. No final das contas, não sei o que aconteceu com a coitada. Só me resta a dúvida, por que diabos aquela tartaruga resolveu atravessar a rodovia?quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
Pernas
Uma mãe descabelada gritando com seu pequeno
filho porque ele resolveu dar dois passos para longe dela. Ela está
sentada no ponto de ônibus, segura a cabeça numa mão e o cigarro na
outra. Ele não obedece e resolve dar mais dois passos. O pequeno não
estranha os gritos, parece ser corriqueiro. Ainda sentada ela aumenta o
tom de voz e grita, agora desesperadamente. As pessoas ao redor olham
com cara de estranhamento, algumas
aceleram o passo para se distanciarem da triste cena. Eu observo de
dentro do meu carro parado no semáforo e penso: no que um adulto supera
uma criança? na inteligência? ou puramente na sua capacidade motora?
talvez nem nisso! O garotinho queria usar as pernas, deve estar
aprendendo a usá-las. A mãe não tem forças para acionar as suas, prefere
obrigá-lo a voltar sentada e aos gritos. Depois da imaginação, o movimento
das pernas é o que mais aproxima o ser humano da liberdade. Sai andando
moleque!
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