sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Qual o valor da democracia?

Não é de hoje que se houve falar em democracia, é claro que não, ela foi idealizada e praticada já nos tempos de Epicuro, Sócrates e Platão, lá na Grécia Antiga. Já no Brasil, sua história é muito recente, talvez 25 anos, ou menos. O certo é que ainda hoje estamos vivendo o processo de sua consolidação, visto que não são raras certas forças antidemocráticas em nosso atual sistema. Para citar um simples exemplo deste problema é só refletirmos sobre o próprio sistema capitalista, antidemocrático por excelência. Até onde vai a nossa possibilidade de participação política no capitalismo? Tendo em vista as relações intrínsecas entre política e economia, como podemos nos sentir livres e plenamente cidadãos se bancos e todo o tipo de grandes empresas que nos afetam diariamente não são geridas por representantes populares? Empresas e empresários representam a si mesmos e usam a representação política para se beneficiar na estrutura legal. É dessa forma que esta camada social contribui para a manutenção da desigualdade que exclui as possibilidades sociais de milhões de pessoas.
A verdade é que na democracia ninguém é puxado pelo braço para participar das decisões, se você não se envolve alguém decide por você. Nesse caso, provavelmente será muito mal representado e terá aceitar aquilo que foi “democraticamente” decidido. A democracia exige uma educação específica para que a participação popular efetive o seu poder de alcance. Não viveremos numa sociedade igualitária enquanto poucos cobrarem a sua transformação, o que querem os poderosos é que os principais interessados na mudança permaneçam anestesiados, descrentes com a política e preconceituosos quanto a um engajamento mais ativo e crítico. Este, que não necessariamente está ligado aos partidos políticos, é fruto de uma conscientização e sua consequente mobilização dentro da sociedade, seja ela por meio de atividades artísticas ou manifestações solidárias com o meio ambiente. O fato é que se não nos envolvermos em qualquer tipo de intervenção social nossa cidadania continuará sendo seriamente ameaçada e a democracia vai continuar sendo uma longínqua utopia. Portanto, sejamos nós, cidadãos de fato, o grande valor da democracia.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

domingo, 28 de novembro de 2010

Em busca de uma paz desconhecida

No dia 13 de Maio de 1888 um fato histórico foi comemorado em todo o Brasil, este fato então revelou aos brasileiros uma mudança grandiosa: agora não mais seríamos uma sociedade escravista, os negros não viveriam mais sob o julgo dos capatazes. Mudamos, a partir daí, uma questão fundamental, a questão da liberdade para quem até então era visto como ser humano de segunda categoria e unicamente viável como força de trabalho duro. Prometemos uma nova sociedade, baseada no mérito e na força de vontade, uma sociedade que exigiria deveres, mas que agora daria direitos para todos. Esse foi o sonho da República, assim nossos líderes receberam um novo século, cheios de otimismo e bem-aventuranças. Mas o que se viu não foi exatamente algo assim tão justo, os negros ex-escravizados tiveram que migrar das senzalas para os morros, construindo suas casas com aquilo que lhes era possível. Tiveram que continuar fazendo o trabalho pesado, sem ter acesso às melhorias do novo sistema. Foi assim, de forma resumida, que se constituíram as favelas em todo o Brasil, e no Rio milhares de pessoas foram empurradas morro a cima no intuito de esconder os frutos de uma sociedade desigual. Enquanto o requinte e a ostentação divulgavam mundialmente a cidade maravilhosa, uma massa de anônimos a transformava numa cidade perigosa.

Assim os morros cariocas se tornaram a prova mais cabal da indiferença nacional para com os pobres, e o governo, de forma hipócrita, prometeu novamente o que a República deveria ter realizado cem anos atrás: o respeito pela vida humana, a inclusão e a igualdade. O que ensinaram, no entanto, foi o contrário, ensinaram que quem vivia ali não seria respeitado, mas sim julgado como a escória da sociedade por aqueles que se sentiam incomodados em dividir a paisagem da baía de Guanabara com seres indesejados. O racismo inerente a essas relações, a indiferença e o descaso foram o combustível para o nascimento de uma grande quantidade de inimigos da paz, que por sinal nunca existiu. Formou-se então um exército que se valeu do tráfico de drogas para conquistar aquilo que a televisão propagou como felicidade. Este exército anti-social passou a ser o outro lado da moeda, o lado B da elite mau caráter herdeira de senhores de escravos. E agora vemos em alta definição o desenrolar de um problema histórico descrito como a busca da paz, uma paz tão longínqua que deveríamos ter vergonha em pronunciá-la. Vergonha é o que também deveríamos sentir ao hastear nossa bandeira num lugar que contradiz completamente a frase “ordem e progresso”. A paz que se busca através do sangue nunca será uma realidade, enquanto não reconhecermos nossas mazelas como fruto de nossa história e não da simples maldade do povo, continuaremos sendo reféns de nossa própria ignorância e falta de compaixão. Vamos continuar a nos esconder atrás de cercas eletrificadas e esperar que grupos fortemente armados nos entreguem a paz com que tanto sonhamos, sem jamais acordar.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Nada como viajar


Nada melhor que viajar, sair do lugar, levar a alma pra passear. Perceber o vento soprar e a janela mostrar que já não se respira o mesmo ar. Observar no retrovisor a distância aumentar. Sentir o joelho latejar, pedir pra parar e ver o carro esquentar. Abastecer e pagar, reclamar, brigar com quem vai ao lado a fumar. Nada como viajar, e na hora de chegar olhar a paisagem convidar. Mergulhar os olhos e fotografar. Caminhar, carregar o peso da mochila sem reclamar e de corpo e alma vivenciar um novo lugar onde sempre se sonhou estar. Desestressar? Nem preciso falar! A melhor coisa é absorver novas energias e recarregar. Tranquilidade é estar sem hora pra chegar e nem compromisso pra firmar. Lamentar, só na hora de voltar, mas ainda assim se lembrar que o regresso é essencial para aventura se completar. Uma viagem sempre vai modificar, sempre vai marcar, pois a experiência é mil vezes mais valiosa do que o dinheiro que se economizou para gastar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Uma possibilidade a mais

Muito se fala em igualdade entre os homens e mulheres, igualdade de direitos, de possibilidades, igualdade de deveres, de comprometimento. Realmente, a busca da igualdade é o mais importante desafio em que a humanidade está inserida, e o mais difícil. No entanto, ela não exclui a diferença, pois o seu contrário é a desigualdade. Esta ocorre quando homens e mulheres passam a ser hierarquizados e classificados, não de acordo com méritos ou aptidões, mas sim de acordo com privilégios ou benefícios, é uma questão de poder e segregação baseada numa suposta superioridade. Já entre iguais a diferença é o sustento da capacidade de suportar. É preciso enxergar no outro um contraponto, uma possibilidade a mais. Não basta sermos iguais, necessitamos também da diferença. Sem ela nos transformaríamos em autômatos, seres padronizados sem possibilidades de trocas e aprendizados. As nossas diferenças não podem ser subestimadas, elas são aquilo que nos enriquece mutuamente e nos faz sentir indivíduos dentro dessa imensa coletividade.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Drogados de poder

Quando falamos sobre drogas, geralmente o que nos vem à cabeça são tipos estereotipados como maconheiros lesados, ou quem sabe aqueles alucinados com o nariz branco, ou até mesmo fritos mordendo garrafas plásticas com os olhos esbugalhados ao som do trance. Nossa visão sobre o tema parece reduzir-se a situações onde o “drogado” é sempre alguém que consumiu alguma substância para atingir este estado anormal da consciência e de prazer momentâneo. O que poucas vezes percebemos é que não são apenas essas tais substâncias psicoativas ou alucinógenas que tem o poder de gerar níveis de prazer e alegria artificiais e, principalmente, viciantes. Observando a forma como políticos e jogadores de futebol se portam diante de situações de adrenalina, podemos perceber o quanto o poder – no sentido de autoridade, influência, soberania – é capaz de transformar as pessoas.

Observe bem um jogador após marcar um gol diante de um estádio lotado e de dezenas de câmeras, observe como esta injeção de alegria o transforma no ato da comemoração. Até mesmo para quem joga futebol de quarta na quadra do bairro sabe o quanto é saborosa aquela dose de endorfina no sangue, imagine um jogador celebridade, ídolo de milhões. Talvez seja por isso que muitos jogadores entrem em depressão profunda ao aposentarem-se, ou também porque em alguns casos substituem esse antigo poder por drogas químicas. A ausência daquela sensação de poder e influência sobre as pessoas através do esporte e do desempenho do próprio corpo pode causar séria abstinência.

Algo parecido podemos perceber na conduta de políticos, principalmente quando o entusiasmo do discurso se faz presente. São senhores e senhoras suando em bicas, com os olhos esbugalhados, gesticulando acrobaticamente na sede de encontrar as palavras certas em seus arcabouços retóricos. É comum, em todas as esferas de poder, vermos senhores sedentos se agarrarem aos seus tronos com a mesma força que um viciado em crack segura seu cachimbo. É comum vermos atos de desespero público por conta da corrida ao posto desejado, leia-se a corrida presidencial e a forma com que seus postulantes se postam diante de debates e discursos. O poder político talvez seja a droga mais fortemente desejada e, por isso, a mais segregada de todas.

Essa é a droga do poder, seja político, acadêmico, artístico ou na comum versão celebridade do esporte, o que querem é sempre estarem diante de platéias e aplausos, cumprimentos e aprovações. Ser um poderoso, eis a busca de qualquer drogado. Atingir níveis sobre humanos de prazer e plenitude, quase nada os diferencia. Qual seria então a diferença de drogados e poderosos? Tentem responder, mas tenham cuidado, o poder seduz... e vicia!