Eu sou aquilo que me falta, eu sou aquilo que não tenho. E minha vida assim se faz, incompleta e carente, digna de uma verdadeira imperfeição. Sou cobrado por aquilo que me falta, esperam de mim aquilo que não tenho. E minha sina assim se faz, sofrido por querer ser quem nunca serei, infeliz por buscar o que jamais terei. Meu desejo era estar satisfeito comigo mesmo, e que estivessem satisfeitos comigo como sou. Meu desejo era ter aquilo que tanto quero e, assim, ser o que tanto querem de mim. Mas não posso ser aquilo que espero ou que esperam, não posso ser, se não, aquilo que sou. Eu sou aquilo que me falta, eu sou aquilo que não tenho.
domingo, 5 de junho de 2011
Aquilo que me falta
domingo, 22 de maio de 2011
A ditadura bate à porta!

Se há um problema realmente sério a ser constatado nesta situação, o problema é essa repressão incompreensível que destrói a nossa crença numa possível democracia. Vergonha é o sentimento que eu carrego de viver nesse estado de sítio onde a única liberdade que nos parece ser garantida é a (falsa) liberdade de consumir desenfreadamente. Esse é o preço que pagamos, nós paulistas, por vivermos num estado há décadas governado por essa direita nojenta que é o PSDB. Abaixo a ditadura, sim a liberdade de expressão!

sábado, 21 de maio de 2011
Às vezes
Eu queria que a vida fosse mais curta, e que fosse mais intensa. Às vezes temos tanto a fazer, às vezes parece que estamos em estado de espera. Essa rotina desequilibrada concentra tantas coisas em tão pouco tempo, e nos deixa tão vazios em outros momentos. Eu sei, tenho muitos livros na estante, sou sócio de uma locadora de filmes, tenho uma bicicleta pra pedalar e um jardim pra regar. Mas é que às vezes parece que ainda falta alguma coisa, alguma coisa menos óbvia, menos saturada. Acho que falta natureza, falta vida em estado natural, falta contato com o tempo natural, aquele tempo que não apita e não é linear. Eu to pensando seriamente em viver em outro lugar, não sei se vou ter a mesma quantidade em coragem que tenho em vontade. Planos não significam nada antes de serem concretizados, sonhos são só sonhos se não remetem às nossas ações. É que aquelas vezes que estamos atarefados, realmente ocupados, os planos ficam pra segundo plano, deixam de existir. É por isso que eu queria que a vida fosse mais curta, porque aí todo mundo ia ter vergonha de deixar os sonhos pra depois, aí todo mundo ia querer fazer agora o que realmente tem vontade. É que na maior parte do tempo a gente faz o que tem que fazer e só às vezes o que realmente deseja. Às vezes, essas vezes tão raras...
quinta-feira, 7 de abril de 2011
A auto-cura da violência
Fatos lamentáveis nos levam a crer que chegamos ao ápice da violência humana, mas não, acredite, ela ainda pode nos surpreender e chocar com grande frequência. Os fatos que cito são três em especial: primeiro uma luta de vale-tudo que ganha status de luta do século, segundo a vingança de um aluno estadunidense que sofreu bullyng na frente de uma câmera amadora, terceiro o massacre de um psicopata que dispara contra crianças dentro de uma escola. O que estes casos tem em comum? Por que sempre nos sensibilizam e nos atraem de forma tão singular? E por que, no entanto, se tornam tão banais e corriqueiros ao longo do tempo? Analisando fria e criticamente, lutadores, vingadores e psicopatas são o óbvio resultado de uma sociedade que só tem a capacidade de resolver a violência com a própria violência. E que, além de ser incapaz de resolvê-la de forma pacífica e inteligente, a anseia como diversão.
O primeiro fato que citei é a prova do que acabo de dizer, a luta que valeu o título mundial do UFC e que chamou a atenção de milhões de pessoas no mundo inteiro. O que desejavam tantas pessoas assistindo um combate assim? Nada mais do que a sofisticação da violência, o aperfeiçoamento da capacidade humana de se agredir, de se autodestruir. Uma luta que, é verdade, acabou decepcionando seus espectadores e telespectadores por ter sido rapidamente finalizada por um único golpe perfeito. É claro que todos queriam ver um conflito acirrado, aflitivo e que desse uma verdadeira lição de como arrebentar com um oponente.
O segundo fato contou com um instrumento virtual para ser divulgado e rodar o mundo inteiro, através do Youtube a vingança de um aluno que sofria perseguições na escola se tornou o mais acessado e compartilhado na rede. A violência escolar (que agora atende pelo nome estrangeiro:bullyng) é um fato comum em quase todas as instituições de ensino do mundo e que prejudica o aprendizado de muitas crianças e adolescentes. Como resolver? Não sabemos, mas uma vingança com grande violência pareceu um bom remédio. Não é atoa que o adolescente deste caso virou um verdadeiro “herói” em seu país, diga-se de passagem, a capital universal da violência gratuita.
O terceiro e mais atual caso é a ação de um psicopata, um delinquente desgovernado que propositadamente entra em uma escola e atira contra crianças em seu ambiente de estudo. O lugar que deveria ser o espaço da cidadania por excelência mais uma vez se torna no palco de um massacre sem nenhum tipo de justificativa possível. Mas até que ponto adianta nos debatermos de raiva? Na cidade maravilhosa onde a violência dos morros, causada historicamente pela violência da exclusão, que por sua vez remete a violência da escravidão e exploração e que hoje é combatida com a violência da polícia e do exército, o que significa mais um pouco de violência sem censura?
Já são tantas ações e reações violentas que já não podemos mais identificar os inocentes e os culpados. Eu sinceramente me sinto cúmplice de aberrações como essas, e talvez nós todos sejamos porque nos acostumamos com a violência diária e até esperamos dela a sua auto-cura. Vivemos a cultura da violência, uma cultura que se expressa, inclusive, no nosso desejo de ver o sangue rolar, de vingança e de justiça. É um sentimento de violência curativa, punitiva, vingativa e, no final das contas, quase divertida e satisfatória.
