sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Corpos encontrados
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Festa sagrada
Dançam lado a lado homens, mulheres e orixás. Unidos, festejam a vida em sua totalidade evolvendo sensualidades, astúcias e purezas, humanas e divinas. Celebram suas alegrias, suas dores, seus encantos e lamentos. Não há fugas, não há pudores, muito menos repressões. Todos se envolvem e se entrelaçam nessa experiência, nessa festa sagrada que é a vida. Aqui, o profano e o sagrado se encontram para gerar as pulsações do corpo e da alma. Os tambores dão o tom. Eles são como uma orquestra natural, como uma tempestade. Entre raios, trovões, lágrimas e suor, eles dançam lado a lado. São pele calejada, sangue, mente e espírito. São o ensinamento e, ao mesmo tempo, são a vontade de aprender. São expressão e sentimento. Todos juntos com os pés na terra numa ciranda em ritmo contínuo. Lado a lado, homens, mulheres e orixás.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Um edifício chamado felicidade
Tô andando pela calçada, olho para o lado, vejo um edifício que se chama felicità. Observo as sacadas, tudo muito luxuoso, limpo e agradável. Vejo agora o portão se abrir, um carro importado sair da garagem. Eu pensei: "por que você está saindo da felicidade, cara? fica aí, o mundo aqui fora é triste, rude, sujo e desagradável!". Ele vai sair porque a felicidade não basta e não é de graça. "E que tenha cuidado para que um dia alguém não tão feliz resolva experimentar à força esse seu sentimento"...
terça-feira, 16 de julho de 2013
Maracatu: sensibilidade e força
O Maracatu é cultura de resistência, uma ponte com a ancestralidade negra e nordestina desse país. Não é fácil levar um grupo no interior de São Paulo, muito menos manter o fundamento para que a coisa não vire um mero folclore. Conexões espirituais, sociais, humanas e educativas se fazem necessárias para que haja legitimidade. Portanto, não pense que a coisa é brincadeira, não pense sequer que é fácil levar um projeto como esse adiante. Ele sobrevive às custas de muita dedicação e, não raro, sacrifício pessoal e coletivo. Não temos busca por fama ou inserção no mercado, temos sim por existência e resistência. Aparecer por aparecer não é o nosso forte, queremos é fincar raízes e nos consolidar enquanto integração do corpo com a alma, da sensibilidade com a força, do material com o imaterial. Sempre reverenciando a fonte da tradição que são as nações pernambucanas, de onde vem a nossa inspiração e permissão para sermos portadores da tradição. Um salve a quem resiste e promove a cultura do Maracatu pelo Brasil afora, assim como tantas outras tradições populares!
quarta-feira, 10 de julho de 2013
Ocupações
A aula pública com Celio Turino foi mais uma demonstração de interesse dos movimentos em promover o debate público em Ribeirão Preto. Compõe um processo muito rico de ações de ocupação na cidade, que vem agregando centenas de pessoas ano a ano. Gente interessada na reflexão e na ação política de forma apartidária, porém não menos responsável e dedicada.
Precisamos avançar (e muito) no que diz respeito à organização para que toda essa energia aplicada resulte, de fato, em mais qualidade à política institucional de Ribeirão. Sabemos que apenas refletir e agir pontualmente não criará avanços concretos, pois enquanto isso a política habitual vai sendo feita em nossas costas, ditando o rumo dos acontecimentos mais significativos.
Mudar a cultura política é uma missão que requer compreensão profunda das entranhas do poder, formada não apenas por governantes e seus partidos, mas também por interesses de empresários. Requer também a disputa por espaços estratégicos, o que não significa reproduzir modelos viciados. Uma das formas é forçar canais de diálogo para cobrar efetivamente aqueles que estão nessas instâncias.
Esse vem sendo o papel dos movimentos e de suas ações: qualificar o debate público, mapear as demandas e organizar as pessoas e grupos para uma reivindicação sólida e permanente. Passa por estratégias de formação política para a democracia participativa, que exige uma dose alta de autonomia e proatividade.
Que venham mais ocupações, acampamentos, aulas públicas e manifestações, afim de nos proporcionar cada vez mais maturidade. Seguimos!
(A aula pública referida ocorreu no dia 9 de julho de 2013 na esplanada do Theatro Pedro II em Ribeirão Preto, promovida de forma independente por agentes de movimentos sociais da cidade.)
quarta-feira, 12 de junho de 2013
"Não acredite em jovens"
O que a classe (da inteligência) média não enxerga é que a mídia manipula os fatos, enquanto nas ruas a polícia age com uma violência brutal a mando do governo. A mídia não quer esconder, ela quer distorcer para que a grande massa condene o direito à rua e aprove a ação policial. Esse procedimento é apenas mais um sintoma da opressão que se inicia na escola, isto é, a opressão intelectual que visa suprimir a capacidade de reflexão autônoma do sujeito. O Estado, por sua vez, solta os seus cães para dispersar o povo organizado em torno de seus objetivos mais do que legítimos. Opressão subjetiva e objetiva, vinda de todos os lados como bombas de gás lacrimogênio!
Mas qual é o recado que a inteligência média e conservadora não entende? Com certeza o recado subversivo dos manifestantes, pois o da polícia é muito mais compreensível. Mais do que isso, a repressão é desejada e apoiada abertamente. Enquanto os manifestantes promovem uma reflexão profunda através de um ato, convidando toda a população a repensar a própria sociedade, uma parte (manipulada) da população responde com desprezo e condenação.
Os fatos são pedagogicamente explicados pela grande mídia nos seguintes termos:
"Não acredite em jovens que vão às ruas, eles quebram a sua linda agência bancária; eles fazem você chegar mais tarde em casa e perder a novela; eles querem mudar o sistema, mas pra que se você adora as suas compras de supermercado?; eles são negativamente diferentes do seu filho, que só pode brincar no condomínio e fica doente quando anda na rua; eles são amigos de esquerdistas, gente que admira Che Guevara, aquele assassino cruel!"
E por aí vai, num tom cada vez mais cara de pau e determinado a nos convencer cegamente. Fazem isso para defender um sistema desigual, completamente dominado por interesses empresariais em nome do desenvolvimento da nação (uma outra mentira conveniente). Por isso, vamos ao "b a ba" da política das ruas: não acredite nos grandes canais de imprensa, eles são financiados por quem te explora; não confie na polícia, eles também são!
Mas qual é o recado que a inteligência média e conservadora não entende? Com certeza o recado subversivo dos manifestantes, pois o da polícia é muito mais compreensível. Mais do que isso, a repressão é desejada e apoiada abertamente. Enquanto os manifestantes promovem uma reflexão profunda através de um ato, convidando toda a população a repensar a própria sociedade, uma parte (manipulada) da população responde com desprezo e condenação.Os fatos são pedagogicamente explicados pela grande mídia nos seguintes termos:
"Não acredite em jovens que vão às ruas, eles quebram a sua linda agência bancária; eles fazem você chegar mais tarde em casa e perder a novela; eles querem mudar o sistema, mas pra que se você adora as suas compras de supermercado?; eles são negativamente diferentes do seu filho, que só pode brincar no condomínio e fica doente quando anda na rua; eles são amigos de esquerdistas, gente que admira Che Guevara, aquele assassino cruel!"
E por aí vai, num tom cada vez mais cara de pau e determinado a nos convencer cegamente. Fazem isso para defender um sistema desigual, completamente dominado por interesses empresariais em nome do desenvolvimento da nação (uma outra mentira conveniente). Por isso, vamos ao "b a ba" da política das ruas: não acredite nos grandes canais de imprensa, eles são financiados por quem te explora; não confie na polícia, eles também são!
terça-feira, 11 de junho de 2013
Utopia
Tem dias que o coração da gente se inquieta e resolve viajar no tempo. De repente ele vai pro futuro, nos enchendo de desejos. Faz a gente olhar pra frente, erguer a cabeça e caminhar. As utopias são viagens mais longas, de corações corajosos e inconformados com o presente. Acontece que tem dias que ele resolve viajar em outro sentido. Ele vai pro passado fazendo a gente sentir saudade. Feliz é quem tem um coração viajante. Gente que sabe olhar pra frente e pra trás com o coração. Gente que não nega seus próprios desejos, utopias e saudades.
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