Um líder revolucionário nunca morre. Sua história e suas ideias sobrevivem na alma daqueles que sustentam o seu legado, às vezes involuntariamente em suas mini-lutas cotidianas contra o racismo e a opressão econômica. Em nenhum lugar do mundo a ofensa capitalista/racista é tão presente quanto na África, mas Mandela foi um líder diplomático. Não se vestiu em armas, não combateu de forma sangrenta.Assim como Gandhi, ele mostrou ao opressor o requinte de sua própria maldade. É como se num jogo de espelhos o vilão atirasse contra si mesmo, ferindo sua própria dignidade. A violência nesse caso passava a ferir o violento, ao passo que o líder estava lá sorrindo de forma humilde e paciente aguardando sua compreensão. Outros líderes, não menos contraditórios e igualmente geniais, resolveram enfrentar guerras reais. Não foi o caso do sul-africano, pois ele resolveu conciliar e propagar o sonho de um país possível nas circunstâncias em que se encontrava. Um país onde vivem brancos, herdeiros de sangrentos colonizadores, e negros, herdeiros de povos usurpados. Ele acreditou nessa paz, acreditou que a contradição poderia ceder lugar ao respeito e ao desenvolvimento mútuo. Algo semelhante podemos esperar no Brasil, onde não apenas sujeitos diferentes possam conviver com respeito, mas também onde culturas diferentes possam brindar umas às outras. Não é o que vemos/vivemos hoje, mas um sorriso à lá Mandela pode fazer acreditar...
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Mandela
Um líder revolucionário nunca morre. Sua história e suas ideias sobrevivem na alma daqueles que sustentam o seu legado, às vezes involuntariamente em suas mini-lutas cotidianas contra o racismo e a opressão econômica. Em nenhum lugar do mundo a ofensa capitalista/racista é tão presente quanto na África, mas Mandela foi um líder diplomático. Não se vestiu em armas, não combateu de forma sangrenta.Assim como Gandhi, ele mostrou ao opressor o requinte de sua própria maldade. É como se num jogo de espelhos o vilão atirasse contra si mesmo, ferindo sua própria dignidade. A violência nesse caso passava a ferir o violento, ao passo que o líder estava lá sorrindo de forma humilde e paciente aguardando sua compreensão. Outros líderes, não menos contraditórios e igualmente geniais, resolveram enfrentar guerras reais. Não foi o caso do sul-africano, pois ele resolveu conciliar e propagar o sonho de um país possível nas circunstâncias em que se encontrava. Um país onde vivem brancos, herdeiros de sangrentos colonizadores, e negros, herdeiros de povos usurpados. Ele acreditou nessa paz, acreditou que a contradição poderia ceder lugar ao respeito e ao desenvolvimento mútuo. Algo semelhante podemos esperar no Brasil, onde não apenas sujeitos diferentes possam conviver com respeito, mas também onde culturas diferentes possam brindar umas às outras. Não é o que vemos/vivemos hoje, mas um sorriso à lá Mandela pode fazer acreditar...
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Germinar
Pobre daqueles que não percebem suas próprias misérias interiores. Seguem adiante convictos de que o cheiro podre vem sempre do outro, ou da esquina. Não há beleza na perfeição, há somente a perfeição inerte e monocromática. É importante convencer-se de que seremos sempre incompletos, isso ajuda a ver no outro uma possibilidade de completude. Há encaixes que unem as pessoas, às vezes para nunca mais desencaixar. E de pensar que há por aí tanta gente incrível e imperfeita, mas que, no entanto, não se conhece. Talvez seja melhor assim, que não se conheçam e vivam espalhadas por aí. Assim, elas podem seguir em sua missão de sensibilizar o mundo, cada uma com o seu jeito sábio de ver e viver as coisas. É sabido que a insensatez tende a contaminar, pois todo ser humano carrega o seu germe, nasceu e vai morrer com ele. Por conta disso, vez ou outra, assistimos ou protagonizamos surtos coletivos de insensatez e intemperança. Assim como, vez ou outra, assistimos ou protagonizamos cenas de incrível sabedoria, criatividade e beleza, pois também carregamos os seus germes. Nessa longa peregrinação rumo a não se sabe onde, independente do compasso, viver não passa de uma oportunidade.
sábado, 28 de setembro de 2013
Fome de partida
Novos ares querem me respirar
Novas estradas querem me percorrer
Mas não encontro a despedida
Nem a fome de partida
Vou procurar no esquecimento
Lá na caixa das memórias
Aquela força de vontade
Minhas asas de liberdade
Quem sabe assim posso partir
Sem o compromisso de voltar
Despedir-me das dores
De tombos e antigos amores
Mas as cicatrizes irão comigo
Serão minha única bagagem
Para eu nunca me perder
Nem jamais me esquecer
Vou procurar no esquecimento
Lá na caixa das memórias
A coragem que um dia eu tive
Meu desejo de ser livre
Novas estradas querem me percorrer
Mas não encontro a despedida
Nem a fome de partida
Vou procurar no esquecimento
Lá na caixa das memórias
Aquela força de vontade
Minhas asas de liberdade
Quem sabe assim posso partir
Sem o compromisso de voltar
Despedir-me das dores
De tombos e antigos amores
Mas as cicatrizes irão comigo
Serão minha única bagagem
Para eu nunca me perder
Nem jamais me esquecer
Vou procurar no esquecimento
Lá na caixa das memórias
A coragem que um dia eu tive
Meu desejo de ser livre
terça-feira, 24 de setembro de 2013
O outro, esse espelho
Tentei me enxergar por inteiro, mas não foi possível. Meus olhos não alcançam certas regiões. Tentei um espelho, mas nem assim consegui. Por ele, só pude enxergar meus próprios olhos. Me viciei neles, achei que eles pudessem me responder, mas as perguntas voltavam. Enxerguei menos ainda. Olhos que se veem através de um espelho dizem muito pouco, ou quase nada. Afinal, quem você quer convencer? O melhor pode ser não ser. Não parecer. Não convencer. Só os outros podem nos enxergar por completo. Olham, reparam, assimilam, percebem. Você só se vê por inteiro através dos olhos dos outros, você é o que o outro vê.
sexta-feira, 23 de agosto de 2013
Corpos encontrados
quarta-feira, 21 de agosto de 2013
Festa sagrada
Dançam lado a lado homens, mulheres e orixás. Unidos, festejam a vida em sua totalidade evolvendo sensualidades, astúcias e purezas, humanas e divinas. Celebram suas alegrias, suas dores, seus encantos e lamentos. Não há fugas, não há pudores, muito menos repressões. Todos se envolvem e se entrelaçam nessa experiência, nessa festa sagrada que é a vida. Aqui, o profano e o sagrado se encontram para gerar as pulsações do corpo e da alma. Os tambores dão o tom. Eles são como uma orquestra natural, como uma tempestade. Entre raios, trovões, lágrimas e suor, eles dançam lado a lado. São pele calejada, sangue, mente e espírito. São o ensinamento e, ao mesmo tempo, são a vontade de aprender. São expressão e sentimento. Todos juntos com os pés na terra numa ciranda em ritmo contínuo. Lado a lado, homens, mulheres e orixás.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
Um edifício chamado felicidade
Tô andando pela calçada, olho para o lado, vejo um edifício que se chama felicità. Observo as sacadas, tudo muito luxuoso, limpo e agradável. Vejo agora o portão se abrir, um carro importado sair da garagem. Eu pensei: "por que você está saindo da felicidade, cara? fica aí, o mundo aqui fora é triste, rude, sujo e desagradável!". Ele vai sair porque a felicidade não basta e não é de graça. "E que tenha cuidado para que um dia alguém não tão feliz resolva experimentar à força esse seu sentimento"...
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