sexta-feira, 20 de junho de 2014

Trigo

Traz pão, amor
Traz pão e amor
Tá faltando um pouco de trigo
Tá faltando eu ficar um pouco mais contigo
Traz pão, amor
Traz muito amor

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Navegar o movimento

Não há sabedoria perene. Não há convicção que se sustente perante o tempo. Não há ideia fixa que desafie a eternidade. Não há, sequer, verdade. Somente existe o movimento, que com a precisão do tempo, dá e recolhe sem culpa e sem aviso. Esse movimento não sofre as nossas dores, nem festeja os nossos sorrisos, apenas permanece ativo, disponível para trazer e levar todo tipo de sentimento. Aprender suas rotas, saber navegá-lo, são lições imprescindíveis para encontrar, mesmo que momentaneamente, um bom lugar.

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Seria eu mesma

Não sou mulher, mas poderia ser.
Se eu fosse uma, seria do jeito que quisesse.
Não admitiria um tal homem dizer a mim como deveria ser.
Não seria mulher como dizem as revistas de comportamento.
Muito menos seria como desenham os livros de biologia.
Seria eu mesma, não um modelo.
Seria talvez a invenção de uma nova mulher.
Uma por dia, talvez.
E no dia que quisesse, seria homem. 
Ficaria brincando assim, só pra te confundir.
Sem me importar com você me chamando de degenerada.
Então, a minha perversão se tornaria na minha emancipação.
Rompendo com essa sua cômoda compreensão.
A minha atitude não seria pontual com a sua expectativa.
Rompendo com essa sua autoridade ilegítima.
A minha beleza não seria aquela que seus olhos quisessem ver.
Eu iria abalar os seus padrões, iria te chocar.
Eu seria eu, independente da sua vontade.
E se, ainda assim, você quisesse ser superior a mim.
Eu diria que fosse, mas em seu próprio mundo, fora do meu.
Pois neste aqui reinaria a liberdade.
Onde eu seria mulher do meu próprio jeito.
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Texto escrito para exposição no 1° Encontro Feminista de Ribeirão Preto.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Levante feminino

Todo o meu apoio às mulheres, moças e meninas que estão se levantando a cada dia contra o machismo da nossa sociedade. Como pai de uma garota de nove anos, não posso deixar de apoiar todo e qualquer movimento que vise o fim do patriarcado. Não é difícil perceber o machismo nosso de cada dia, enraizado no mundo cultural, político e do trabalho, assim como nas opiniões distraídas que vira e mexe temos o desprazer de ler ou ouvir. 
Acontece que o homem ainda não lida bem com o protagonismo feminino e às vezes se perde na tentativa de entendê-lo.
Ainda somos um bando de caras pretensiosos, chegando ao ponto de querer definir para a mulher o que é "ser mulher". Eu confesso ser um aprendiz, pois vejo ao meu lado mulheres firmes e decididas a construir suas próprias imagens de si mesmas e seus próprios valores. Também vejo homens assumindo o feminismo, pois entendem que uma mulher livre tem muito mais a oferecer do que uma mulher cativa. Assim como no racismo, a luta pertence a todxs sem exceções.
Acredito que o progresso humano se dá dessa forma: através da vontade de ser mais livre, de poder ser diferente, mas ainda assim ser igual em direitos e oportunidades.
Talvez essas lutas não sejam capazes de resolver a curto prazo tantos problemas que observamos ao redor (afinal, as desigualdades são muitas), porém, não podemos negar que ao menos as barreiras do pensamento estão sendo quebradas de forma corajosa. A liberdade é sempre uma conquista, parabéns a quem deseja e bota a cara pra bater!

terça-feira, 1 de abril de 2014

DITADURAS NÃO ACABAM ASSIM TÃO FACILMENTE

Admitir o golpe militar de 1964 não é um ato de esquerda. Ninguém precisa ter afinidade com Marx ou Che Guevara para perceber que houve um golpe sangrento no Brasil, precisa ter afinidade com a dignidade humana. Basta ouvir uma pessoa que já foi vítima de tortura ou que perdeu um ente querido nas mãos dos militares para perceber o peso real deste fato histórico.
Sem contar que no Brasil, além do peso dos 20 anos de ditadura civil-militar, ainda temos que carregar um fardo de 400 anos de escravidão.
Por isso, é fácil concluir: a democracia no Brasil ainda é um sonho, pois um capitalismo voraz continua impedindo o florescimento de algo parecido com a liberdade. Não nos enganemos, pois a regulação que estamos vendo hoje em dia nada tem a ver com a emancipação prometida com o “fim” da ditadura.
Continuamos vivendo sob um regime onde a violência estatal aparece para reprimir “insurgentes”. Nas favelas do Rio de Janeiro, tanques de guerra levam a “paz” para os pobres. Onde estamos? Com certeza não no lugar onde se espera estar, isto é, num lugar onde o papel do Estado fosse enfrentar os interesses econômicos de uma minoria sem fronteiras, que suga deliberadamente todas as riquezas do mundo para si, enquanto uma população imensa aguarda a sua vez.
Permanecemos sob um regime autoritário e perseguidor, que, de forma absurda, mantém políticas econômicas que promovem privilégios, em detrimento das súplicas dos esquecidos. Foi noticiado que a Nasa descobriu o óbvio: que esse sistema destruirá o planeta e a humanidade em pouco tempo. Como acreditar que a ditadura acabou, se não temos força para vencer esse modo de vida suicida?
Seguiremos lutando contra o golpe original que foi dado há muitos séculos antes de 1964. Um golpe que instituiu a competição como motor da história, ao invés de manter a cooperação e a solidariedade entre os seres humanos. Essa, entre tantas outras, é a ditadura da inércia humana, uma espécie de trem que vai nos levando para o abismo, enquanto, calados, contemplamos o caminho pela janela. A resistência nunca deixou de ser fundamental, é necessário identificar o inimigo, a ditadura não acabou!
(A foto que ilustra esta nota é a do marinheiro João Cândido, líder insurgente de uma das tantas ditaduras que o Brasil já viveu e ainda vive)

segunda-feira, 31 de março de 2014

Mercadores e políticos

Não diga que a política é uma merda e que os "nossos" políticos não prestam. Não há política, não existem políticos no poder. O que há hoje são mercadores do bem público, nossas administrações de prefeituras e governos são como mercados. A prioridade não é cuidar de pessoas, e sim zelar por finanças. A alma do negócio está em ver a roda girar. Eles querem desenvolvimento urbano, poder aquisitivo,consumo, emprego, verbas e mais verbas. Porém, não se esqueça que política não é verba, política é verbo, é ação em prol do bem comum, coisa que muito nos falta. Política, em seu sentido original, deve significar algo como "inteligência coletiva", de modo que a sociedade a tenha enquanto meio de equilíbrio entre todos. Política de verdade seria destruir o controle, jamais assumi-lo. Estes que podemos observar hoje, vendendo suas falsas imagens, são os mercadores, uma tradição que remonta às grandes navegações de séculos atrás. Aventureiros sedentos de poder e dinheiro. Correndo por fora estão os políticos, aqueles que se preocupam com os outros de verdade. Um sujeito que ajuda um cego a atravessar a rua, ali está o político. Uma garota acolhendo um cão faminto na rua, ali está a política. Não podemos confundir tais atos com o delírio desenvolvimentista que domina os poderosos. A riqueza material é avessa ao bem comum, só se considera político alguém que a combate com toda a sua força.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Sopra, Oyá!

Sopra o vento da mudança, minha mãe Oyá
Quero ver o teu assopro me modificar
Nas horas de tempestade quero ouvir você
Um raio forte e iluminado me estremecer

Sopra o vento da mudança, minha mãe Oyá
Faz o que estava fixo se movimentar
É preciso chuva forte para germinar
É preciso ventania para transformar