É preciso reconhecer que, antes de sermos indivíduos isolados, somos um grupo (ou precisamos ser). É preciso enxergar esse grupo, ele vai além da nossa casa, da nossa família. O esplendor e a miséria da vida humana não são vivenciados por uns ou por outros, todos experimentam tal situações de maneira muito parecidas, apenas com cores e roupagens diferentes. A força que nos leva até o buraco do individualismo nos faz ignorar essa similitude. Quanto mais o ser humano se fizer valer por sua liberdade individual, mais a força proveniente da união perecerá. É exatamente isso que o sistema que nos comanda deseja: quanto mais as forças coletivas se desagregam, mais a chance de uma rebelião social se perde. Uma rebelião não no sentido de guerra que separa em dois ou mais lados, mas sim no caminho da coletividade. Desde que, há milhares de anos, os dois primeiros indivíduos da raça humana se encontraram – ambos sentindo o medo terrível da solidão – formou-se o primeiro grupo, o primeiro ser coletivo, aquele que se tornou mais forte e venceu o vazio da existência solitária. Nada mais é a depressão do que a cruel constatação de que a vida é muito dura para ser encarada só.
sábado, 13 de junho de 2009
sexta-feira, 22 de maio de 2009
O preconceito no Brasil: racial ou social?
Existem aqueles que acreditam que no Brasil o preconceito não é racial (de cor), mas social (de classe). Este é mais um argumento em prol do mito da democracia racial, isto é, uma falácia. Na verdade, o preconceito social é algo inerente ao sistema, ou seja, está presente em todos os lugares onde impera a desigualdade social, independente de grupos étnico-raciais que a sociedade envolve ou do quão antagônica é essa desigualdade. A camada mais rica da sociedade, aquela que impõe os padrões de comportamento e detém o poder de consumo, tem sempre algo a contestar no modo de vida dos diferentes; sempre haverá preconceito contra o mais pobre e excluído, pois ele (o não-chique ou brega) não compartilha dos valores do rico (o belo e requintado) – a cultura considerada erudita e de bom gosto. O preconceito de classe, enfim, existe no Brasil, assim como existe em todos os países capitalistas.
A barreira social é extremamente forte enquanto forma de exclusão e segregação. Como se não bastasse, vem a barreira racial e se junta àquela formando uma forma dupla de preconceito, tornando-se cada vez mais bloqueadora para o sujeito. A ascensão social, considerada no Brasil sempre aberta a todos independente da cor, não deve assim ser vista, pois os homens e mulheres negras sempre tiveram uma barreira a mais contra a qual lutar. Quase todos os estereótipos criados no Brasil em relação aos pobres se confundem com as caricaturas dos negros brasileiros. Temos na literatura de Monteiro Lobato a “Tia Anastácia” como uma figura repleta de significados que ligam um tempo muito recente aos tempos da mucama, a escrava negra que se junta ao lar da família branca se tornando um exemplo de fidelidade e subserviência espontânea.
Em todo o período da escravidão a palavra “negro” foi sinônimo de “escravo”, ambas as condições jamais se desvinculavam – nem mesmo quando a negra ou o negro eram libertos. Hoje, num sistema onde supostamente vivemos uma democracia racial, vemos, muito constantemente, a palavra “negro” se confundir com a palavra “pobre”. Lembremos dos exemplos de negros que, em festas, são confundidos com seguranças e que, em portas de hotéis, são confundidos com manobristas – esta é a figura do negro subalterno, o negro estereotipado. Tais confusões são causadas pela mistura das imagens e suas representações. O negro rico geralmente é um transgressor de sua representação, surpreende a todos, pois vence barreiras historicamente impostas e que persistem até os dias atuais. Este transgressor, que invade os espaços segregados e costumeiramente reservados aos brancos, provavelmente continuará convivendo com uma ou outra manifestação racista. Portanto, mesmo estando bem colocado socialmente ele ainda será discriminado, se não pela sua condição social, o será pelo fato de ser negro.
domingo, 7 de setembro de 2008
Insólita experiência
A vida me ensinou que para aprender tem que estar vivo. Não apenas vivo pelo sangue, mas também pela alma. É através dela que chegamos ao real aprendizado, aquele que carregaremos para os mais inimagináveis e inconcebíveis percursos da própria vida e também da morte (quem sabe?). Saber não é ter algo concreto e material, saber é agir corretamente conforme cada momento consultando a alma. Nossa alma é uma mistura de racionalidade e emoção, o mais difícil é saber equiparar. Aqueles que agem apostando tudo na racionalidade, negligenciam a emoção. Aqueles que se entregam totalmente a emoção deixam de ser racionais. O prazer é uma mistura de razão e emoção, os prazeres são a essência da alma em comunhão com o corpo. Porém, o prazer alcançado de forma vulgar e inconsequente faz a alma perecer e assim se tornar inóspita e mórbida. A amplitude de possibilidades faz da vida um imenso labirinto onde o objetivo não é encontrar a saída, o verdadeiro desafio é não se desesperar ante as paredes tortuosas dessa insólita experiência chamada vida humana.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Erro
Os meus erros me ajudam tanto quanto os meus acertos,
a diferença é que errando eu aprendo mais do que acertando.
Se errar é humano, digo mil vezes que sou humano.
Se errar é para os fracos, digo mil vezes que força é ilusão.
Não cometi erros que me envergonho ou procuro esquecer.
Ter vergonha! Este com certeza seria um erro vergonhoso.
Certo ou errado? A resposta geralmente vem depois...
O certo é que meus erros fizeram de mim o que sou hoje.
Porém, os erros são perigosos pois atingem também os outros.
A relação entre duas ou mais pessoas traz consigo um dever:
Jamais faça para aquele o que não queres que seja feito a ti.
A moral talvez também tenha os seus erros...
O erro é intrínseco ao ser humano, quem nunca errou?
Eu erro assim como tu erras, e são tantos os nossos erros.
Quem pensa que não erra, faz da vida um grande erro.
Mas... viver é certo? Não. Viver é errado? Também não.
Viver é muito mais do que certo ou errado...
[2 de Setembro de 2008]
terça-feira, 29 de julho de 2008
A única paz possível

Devemos tanto ter amigos quanto inimigos, é preciso saber contra o que se deve lutar. No entanto, esta luta não é uma luta física, ela é interior. É necessário 'armar-se' interiormente para resistir às ameaças exteriores. O que está fora de nós nem sempre está sob nosso controle, o que está fora de nós não nos pertence inteiramente. Só nos pertence por completo aquilo que temos em espírito. Por isso, a paz não existirá no mundo dos homens enquanto ela não brotar interiormente em cada um de nós, assim como a maldade e a violência jamais terminarão enquanto elas forem despertadas em nossa alma. Pois então, é exatamente a paz interior a 'arma' que precisamos. Revolucione-se.
segunda-feira, 30 de junho de 2008
Jim Morrison

Morrison viveu pela morte e morreu pela vida. Transcendeu sem ser compreendido, mas deixou a entender que pudesse ser desvendado, grande bobagem. Existem coisas intraduzíveis e que, por consequência, permanecerão eternamente intocáveis. Essas coisas passarão apenas por uma mente e em mais nenhuma outra. Busquemos então a nossa própria peculiaridade, assim como Morrison buscou a sua e fez da dúvida o seu maior objeto de fascínio. A idéia mais difícil de ser compreendida é a idéia de que muitas coisas não são compreensíveis. São elas que movem a arte, o sentimento e o espírito.
quarta-feira, 18 de junho de 2008
Assinar:
Postagens (Atom)