sábado, 20 de agosto de 2011

Seres colectivos

Es necessário compreender que, antes de sermos individuos, somos una colectividad. Pero, es necessário mirar con atención: la colectividad es mayor que tu família, vá a allá de tú casa, de tú barrio y de tú ciudad. No podemos jamás ignorar su importância fundamental para la vida en sociedad. La magnitud y la miséria de esta vida no son vivenciadas por unos o por otros, sino por todos, todos vivimos estas adversidades y desafios humanos, com mayores o menores consequencias, pero vivimos. La fuerza que nos hace saltar al refugio del individualismo nos hace ciegos para nuestras semejanzas. Cuanto más el ser humano se hiciere existir por su libertad individual, más la vitalidad social proveniente de la unión perecerá. La libertad no se acaba cuando empieza la del otro, porque es la misma. Solo existe libertad en colectividad, jamás en el individualismo. Sin embargo, es justamente esto lo que quiere el sistema que nos comanda: que las fuerzas colectivas disgreguense junto con las posibilidades de aciones populares conjuntas de questionamento de la ordem. Aciones estas no en el sentido de la guerra, o de la ruptura violenta, que divide las personas en dos o más lados, pero si en el camino de uma vida equilibrada y más solidaria. Desde que, ha miliones de años, los dos primeros indivíduos de la raza humana se encontraron – ambos sentindo el miedo terrible de la soledad – se formó la primera unión, el primer ser colectivo, aquel que se torno más fuerte y venció el vacio de la existencia solitaria. Nada más es la depresión do que la cruel constatación de que la vida es muy dura para ser encarada sola.

Publicado na revista "Siete Borreguitos" de circulação livre em Buenos Aires, Argentina. Junho/2011.

http://sieteborreguitos.com.ar/index.html

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Oração poluída


Bom dia, poluído dia!

E suas nuvens marrons carregadas de espirros,

e suas doces queimadas de açúcares e bagaços,

e suas duras camas de papelões e trapos,

e suas motorizadas fumaças de pressas alheias!


Boa tarde, poluída tarde!

E suas notas ensebadas que correm pelas mãos,

e seus panfletos transeuntes que dobram as esquinas,

e seus chicletes elásticos que beijam os pneus,

e seus grossos cuspes que umidificam os ares!


Boa noite, poluída noite!

E seus cartazes colados que vendem alegrias caras,

e suas latas amassadas de desesperanças,

e suas cinzas aspiradas habitante dos corpos,

e seus amores de látex que engravidam os asfaltos!


Amém!

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Salvador - BA




Estava eu sozinho maravilhado fotografando as ruas do pelourinho, eis que ouço alguém falando atrás de mim, era uma senhora solitária na janela. Ela não tinha muito objetivo com aquela prosa que me envolveu, ou talvez eu é quem não tivesse a capacidade de entendê-la. A verdade é que quando disse que seguiria a minha caminhada, depois de ouvi-la por alguns minutos, ela consentiu, mas antes que eu fosse pronunciou a única frase que pude entender completamente: "Vai com Deus, se precisar estarei aqui."

domingo, 5 de junho de 2011

Aquilo que me falta

Eu sou aquilo que me falta, eu sou aquilo que não tenho. E minha vida assim se faz, incompleta e carente, digna de uma verdadeira imperfeição. Sou cobrado por aquilo que me falta, esperam de mim aquilo que não tenho. E minha sina assim se faz, sofrido por querer ser quem nunca serei, infeliz por buscar o que jamais terei. Meu desejo era estar satisfeito comigo mesmo, e que estivessem satisfeitos comigo como sou. Meu desejo era ter aquilo que tanto quero e, assim, ser o que tanto querem de mim. Mas não posso ser aquilo que espero ou que esperam, não posso ser, se não, aquilo que sou. Eu sou aquilo que me falta, eu sou aquilo que não tenho.

domingo, 22 de maio de 2011

A ditadura bate à porta!


Neste sábado, dia 21 de maio, a polícia militar de SP fez da marcha da maconha (uma simples manifestação pela legalização do cultivo da planta e do seu uso) um acontecimento muito maior e mostrou a sua incapacidade de compreender o conceito de liberdade de expressão. Estado democrático? Não, eles não tem a capacidade de entender isso, não conseguem também perceber no que implica esse tipo de reação desgovernada e violenta. Seria bom se isso levasse a sociedade a acentuar o debate, não só da legalização da maconha, mas também das formas de ação dessa polícia fascista. É óbvio que muitos policiais, trabalhadores e gente humilde que são, são contra essa imbecilidade, mas estão inseridos numa instituição que tem como missão (para além de oferecer segurança) reprimir atos que arbitrariamente denominam como "desobediência". É revoltante ver que nem mesmo os jornalistas que cobriam a ação brutal da tropa de choque foram poupados. "Gás de pimenta para temperar a ordem", diria uma outra nação. Esses "paus-mandados", assim agiram com certeza, parece que se divertem com isso, eu me lembro agora de uma foto que mostra um soldado espirrando o gás no rosto de crianças faveladas.

Se há um problema realmente sério a ser constatado nesta situação, o problema é essa repressão incompreensível que destrói a nossa crença numa possível democracia. Vergonha é o sentimento que eu carrego de viver nesse estado de sítio onde a única liberdade que nos parece ser garantida é a (falsa) liberdade de consumir desenfreadamente. Esse é o preço que pagamos, nós paulistas, por vivermos num estado há décadas governado por essa direita nojenta que é o PSDB. Abaixo a ditadura, sim a liberdade de expressão!

sábado, 21 de maio de 2011

Às vezes

Eu queria que a vida fosse mais curta, e que fosse mais intensa. Às vezes temos tanto a fazer, às vezes parece que estamos em estado de espera. Essa rotina desequilibrada concentra tantas coisas em tão pouco tempo, e nos deixa tão vazios em outros momentos. Eu sei, tenho muitos livros na estante, sou sócio de uma locadora de filmes, tenho uma bicicleta pra pedalar e um jardim pra regar. Mas é que às vezes parece que ainda falta alguma coisa, alguma coisa menos óbvia, menos saturada. Acho que falta natureza, falta vida em estado natural, falta contato com o tempo natural, aquele tempo que não apita e não é linear. Eu to pensando seriamente em viver em outro lugar, não sei se vou ter a mesma quantidade em coragem que tenho em vontade. Planos não significam nada antes de serem concretizados, sonhos são só sonhos se não remetem às nossas ações. É que aquelas vezes que estamos atarefados, realmente ocupados, os planos ficam pra segundo plano, deixam de existir. É por isso que eu queria que a vida fosse mais curta, porque aí todo mundo ia ter vergonha de deixar os sonhos pra depois, aí todo mundo ia querer fazer agora o que realmente tem vontade. É que na maior parte do tempo a gente faz o que tem que fazer e só às vezes o que realmente deseja. Às vezes, essas vezes tão raras...

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A auto-cura da violência

Fatos lamentáveis nos levam a crer que chegamos ao ápice da violência humana, mas não, acredite, ela ainda pode nos surpreender e chocar com grande frequência. Os fatos que cito são três em especial: primeiro uma luta de vale-tudo que ganha status de luta do século, segundo a vingança de um aluno estadunidense que sofreu bullyng na frente de uma câmera amadora, terceiro o massacre de um psicopata que dispara contra crianças dentro de uma escola. O que estes casos tem em comum? Por que sempre nos sensibilizam e nos atraem de forma tão singular? E por que, no entanto, se tornam tão banais e corriqueiros ao longo do tempo? Analisando fria e criticamente, lutadores, vingadores e psicopatas são o óbvio resultado de uma sociedade que só tem a capacidade de resolver a violência com a própria violência. E que, além de ser incapaz de resolvê-la de forma pacífica e inteligente, a anseia como diversão.


O primeiro fato que citei é a prova do que acabo de dizer, a luta que valeu o título mundial do UFC e que chamou a atenção de milhões de pessoas no mundo inteiro. O que desejavam tantas pessoas assistindo um combate assim? Nada mais do que a sofisticação da violência, o aperfeiçoamento da capacidade humana de se agredir, de se autodestruir. Uma luta que, é verdade, acabou decepcionando seus espectadores e telespectadores por ter sido rapidamente finalizada por um único golpe perfeito. É claro que todos queriam ver um conflito acirrado, aflitivo e que desse uma verdadeira lição de como arrebentar com um oponente.


O segundo fato contou com um instrumento virtual para ser divulgado e rodar o mundo inteiro, através do Youtube a vingança de um aluno que sofria perseguições na escola se tornou o mais acessado e compartilhado na rede. A violência escolar (que agora atende pelo nome estrangeiro:bullyng) é um fato comum em quase todas as instituições de ensino do mundo e que prejudica o aprendizado de muitas crianças e adolescentes. Como resolver? Não sabemos, mas uma vingança com grande violência pareceu um bom remédio. Não é atoa que o adolescente deste caso virou um verdadeiro “herói” em seu país, diga-se de passagem, a capital universal da violência gratuita.


O terceiro e mais atual caso é a ação de um psicopata, um delinquente desgovernado que propositadamente entra em uma escola e atira contra crianças em seu ambiente de estudo. O lugar que deveria ser o espaço da cidadania por excelência mais uma vez se torna no palco de um massacre sem nenhum tipo de justificativa possível. Mas até que ponto adianta nos debatermos de raiva? Na cidade maravilhosa onde a violência dos morros, causada historicamente pela violência da exclusão, que por sua vez remete a violência da escravidão e exploração e que hoje é combatida com a violência da polícia e do exército, o que significa mais um pouco de violência sem censura?


Já são tantas ações e reações violentas que já não podemos mais identificar os inocentes e os culpados. Eu sinceramente me sinto cúmplice de aberrações como essas, e talvez nós todos sejamos porque nos acostumamos com a violência diária e até esperamos dela a sua auto-cura. Vivemos a cultura da violência, uma cultura que se expressa, inclusive, no nosso desejo de ver o sangue rolar, de vingança e de justiça. É um sentimento de violência curativa, punitiva, vingativa e, no final das contas, quase divertida e satisfatória.