
Aqui, apesar de toda humilhação diária que o trabalhador pobre sofre, lá está ele no ponto de ônibus mais uma vez. Agora, a corrupção sim, esta é generalizada, quase uma regra. Algo, aliás, pouco percebido, só se nota a corrupção política, a corrupção diária da população passa despercebida. É muito cômodo se colocar acima dos males sociais, a classe média trabalha muito, mas defende cegamente o sistema que lhes aplica a violência de todos os tipos. É como na doença, os sintomas são a evidência de um problema maior, sendo que este sim merece nossa energia para combater. Essa visão reducionista do problema, de que a violência é culpa de indivíduos e não a consequência das desigualdades, transforma grande parte da população em possíveis apoiadores de duras políticas de repressão. Queremos acabar com a criminalidade? Comecemos pela distribuição das riquezas e pelo reconhecimento dos direitos alheios! Enquanto se aceitar a privação de muitos em favor de poucos, enquanto nos acostumarmos com cenas de miséria, seremos também submetidos à insegurança e ao medo. Medo esse, aliás, que nos retoma ao início, é o medo do roubo do nosso consumo, medo do roubo da nossa felicidade, aquilo que nos diferencia dos outros. Os outros, aqueles malditos que insistem em não se conformar em servir de reservas.
sábado, 10 de setembro de 2011
A felicidade dos outros
sábado, 20 de agosto de 2011
Seres colectivos
Es necessário compreender que, antes de sermos individuos, somos una colectividad. Pero, es necessário mirar con atención: la colectividad es mayor que tu família, vá a allá de tú casa, de tú barrio y de tú ciudad. No podemos jamás ignorar su importância fundamental para la vida en sociedad. La magnitud y la miséria de esta vida no son vivenciadas por unos o por otros, sino por todos, todos vivimos estas adversidades y desafios humanos, com mayores o menores consequencias, pero vivimos. La fuerza que nos hace saltar al refugio del individualismo nos hace ciegos para nuestras semejanzas. Cuanto más el ser humano se hiciere existir por su libertad individual, más la vitalidad social proveniente de la unión perecerá. La libertad no se acaba cuando empieza la del otro, porque es la misma. Solo existe libertad en colectividad, jamás en el individualismo. Sin embargo, es justamente esto lo que quiere el sistema que nos comanda: que las fuerzas colectivas disgreguense junto con las posibilidades de aciones populares conjuntas de questionamento de la ordem. Aciones estas no en el sentido de la guerra, o de la ruptura violenta, que divide las personas en dos o más lados, pero si en el camino de uma vida equilibrada y más solidaria. Desde que, ha miliones de años, los dos primeros indivíduos de la raza humana se encontraron – ambos sentindo el miedo terrible de la soledad – se formó la primera unión, el primer ser colectivo, aquel que se torno más fuerte y venció el vacio de la existencia solitaria. Nada más es la depresión do que la cruel constatación de que la vida es muy dura para ser encarada sola.
Publicado na revista "Siete Borreguitos" de circulação livre em Buenos Aires, Argentina. Junho/2011.
sexta-feira, 19 de agosto de 2011
Oração poluída
E suas nuvens marrons carregadas de espirros,
e suas doces queimadas de açúcares e bagaços,
e suas duras camas de papelões e trapos,
e suas motorizadas fumaças de pressas alheias!
Boa tarde, poluída tarde!
E suas notas ensebadas que correm pelas mãos,
e seus panfletos transeuntes que dobram as esquinas,
e seus chicletes elásticos que beijam os pneus,
e seus grossos cuspes que umidificam os ares!
Boa noite, poluída noite!
E seus cartazes colados que vendem alegrias caras,
e suas latas amassadas de desesperanças,
e suas cinzas aspiradas habitante dos corpos,
e seus amores de látex que engravidam os asfaltos!
Amém!
segunda-feira, 1 de agosto de 2011
Salvador - BA

domingo, 5 de junho de 2011
Aquilo que me falta
Eu sou aquilo que me falta, eu sou aquilo que não tenho. E minha vida assim se faz, incompleta e carente, digna de uma verdadeira imperfeição. Sou cobrado por aquilo que me falta, esperam de mim aquilo que não tenho. E minha sina assim se faz, sofrido por querer ser quem nunca serei, infeliz por buscar o que jamais terei. Meu desejo era estar satisfeito comigo mesmo, e que estivessem satisfeitos comigo como sou. Meu desejo era ter aquilo que tanto quero e, assim, ser o que tanto querem de mim. Mas não posso ser aquilo que espero ou que esperam, não posso ser, se não, aquilo que sou. Eu sou aquilo que me falta, eu sou aquilo que não tenho.
domingo, 22 de maio de 2011
A ditadura bate à porta!

Se há um problema realmente sério a ser constatado nesta situação, o problema é essa repressão incompreensível que destrói a nossa crença numa possível democracia. Vergonha é o sentimento que eu carrego de viver nesse estado de sítio onde a única liberdade que nos parece ser garantida é a (falsa) liberdade de consumir desenfreadamente. Esse é o preço que pagamos, nós paulistas, por vivermos num estado há décadas governado por essa direita nojenta que é o PSDB. Abaixo a ditadura, sim a liberdade de expressão!

sábado, 21 de maio de 2011
Às vezes
Eu queria que a vida fosse mais curta, e que fosse mais intensa. Às vezes temos tanto a fazer, às vezes parece que estamos em estado de espera. Essa rotina desequilibrada concentra tantas coisas em tão pouco tempo, e nos deixa tão vazios em outros momentos. Eu sei, tenho muitos livros na estante, sou sócio de uma locadora de filmes, tenho uma bicicleta pra pedalar e um jardim pra regar. Mas é que às vezes parece que ainda falta alguma coisa, alguma coisa menos óbvia, menos saturada. Acho que falta natureza, falta vida em estado natural, falta contato com o tempo natural, aquele tempo que não apita e não é linear. Eu to pensando seriamente em viver em outro lugar, não sei se vou ter a mesma quantidade em coragem que tenho em vontade. Planos não significam nada antes de serem concretizados, sonhos são só sonhos se não remetem às nossas ações. É que aquelas vezes que estamos atarefados, realmente ocupados, os planos ficam pra segundo plano, deixam de existir. É por isso que eu queria que a vida fosse mais curta, porque aí todo mundo ia ter vergonha de deixar os sonhos pra depois, aí todo mundo ia querer fazer agora o que realmente tem vontade. É que na maior parte do tempo a gente faz o que tem que fazer e só às vezes o que realmente deseja. Às vezes, essas vezes tão raras...